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Estado catarinense exporta carnes, madeira e máquinas para a região e importa insumos que sustentam sua indústria e sua lavoura; portos de Itajaí, Navegantes, Itapoá e Imbituba fazem a ponte
Por Joanna Rita
13 de outubro de 2026
FLORIANÓPOLIS (SC) – Todos os dias, contêineres refrigerados deixam os portos catarinenses carregados de frango, com destino a países que ficam a milhares de quilômetros de distância. Na volta, os navios trazem outro tipo de carga: fertilizantes, combustíveis e matérias-primas que mantêm de pé a agricultura e a indústria do estado. É essa via de mão dupla que liga Santa Catarina ao Egito e ao restante do mundo árabe, uma das relações comerciais mais relevantes para o agronegócio catarinense.
O bloco reúne os 22 países da Liga Árabe, na África e no Oriente Médio. Entre os principais destinos das exportações do estado na região estão Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Catar e Argélia.
O frango Halal como carro-chefe
A pauta de exportações de Santa Catarina para o mundo árabe é dominada pelo agronegócio, e o protagonista é a carne de frango. O estado é líder nacional no abate e na exportação da proteína e atende aos rigorosos padrões do abate Halal, que une exigências religiosas e sanitárias da tradição muçulmana.
A certificação funciona como uma espécie de passaporte: sem ela, o produto não entra nesses mercados. O frango in natura e congelado é, por isso, o principal item da pauta, seguido por outros produtos:
- carne bovina, que se beneficia do status sanitário diferenciado de Santa Catarina, reconhecida como livre de febre aftosa sem vacinação;
- madeira e derivados, como móveis e compensados;
- motores e equipamentos elétricos, fabricados na indústria metalmecânica de polos como Joinville e Jaraguá do Sul;
- maçãs, farelo de soja e outros grãos.
O Egito, porta de entrada para a África do Norte
Dentro do bloco, o Egito se destaca como uma das principais portas de entrada do comércio brasileiro na África do Norte. Para o mercado egípcio, Santa Catarina vende frango congelado, usado no abastecimento interno e em programas governamentais de segurança alimentar, além de compensados e madeira serrada de pínus, muito empregados na construção civil do país.
A pauta inclui ainda papel e celulose, matéria-prima para embalagens e materiais impressos, e máquinas e equipamentos, como compressores e motores elétricos produzidos no parque industrial do norte e do vale do estado.
O que volta nos navios
A relação é de mão dupla, e a balança mostra um contraste curioso: o estado envia alimentos e recebe insumos de que a própria agricultura precisa. Do Egito, grande produtor de rocha fosfática e ureia, chegam fertilizantes e adubos organominerais, além de polímeros e plásticos, produtos químicos para a indústria de transformação e frutas, como laranjas e tâmaras, com forte presença sazonal.
Do conjunto do Oriente Médio e do Norte da África, a pauta de importações catarinenses é voltada à indústria e ao campo:
- combustíveis e derivados de petróleo, como óleos combustíveis, nafta e GLP, especialmente de Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita;
- ureia, fosfatos e potássio, que abastecem a lavoura de Santa Catarina e de estados vizinhos;
- polímeros de etileno e propileno, usados nas indústrias de embalagens, automotiva e de eletrodomésticos;
- alumínio bruto, empregado em indústrias metalúrgicas e automotivas.
Os portos como elo da cadeia
Toda essa movimentação depende da logística portuária catarinense. O Porto de Itajaí e a Portonave, em Navegantes, são os principais escoadouros da carne congelada, em contêineres refrigerados, rumo ao Porto de Alexandria, no Egito, ao de Jebel Ali, nos Emirados, e ao de Jeddah, na Arábia Saudita.
No sentido contrário, os portos de Itapoá e Imbituba têm papel essencial no desembarque de granéis sólidos, como os fertilizantes egípcios e árabes, e de cargas industriais.
Segurança alimentar e diplomacia comercial
Para países que dependem de importações para alimentar suas populações, a confiança no fornecedor é decisiva. O status sanitário de Santa Catarina, livre de febre aftosa sem vacinação, é um argumento de peso nas negociações e ajuda a explicar a posição do estado na região.
A aproximação também passa pela diplomacia comercial. O estreitamento das relações com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e as missões de representantes à região buscam ampliar mercados e atrair investimentos em infraestrutura e tecnologia, num movimento que vai além da venda de commodities.
Uma relação de interdependência
No fim das contas, o comércio entre Santa Catarina e o mundo árabe mostra uma interdependência: o frango produzido no Oeste e as máquinas fabricadas no Norte do estado abastecem mesas e obras do outro lado do mundo, enquanto os fertilizantes e insumos que chegam pelos portos catarinenses ajudam a manter a produção que sustenta essa mesma cadeia.
Com informações do Comex Stat (MDIC), do Observatório Agro Catarinense, da Epagri, da Cidasc, da Fiesc, da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e das autoridades portuárias e terminais de Itajaí, Navegantes (Portonave), Itapoá e Imbituba.






