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Combinação de calor, frente fria e ciclone no oceano gerou ventos extremos na quarta-feira (4); trégua é esperada a partir de quinta (5)
Por Joanna Rita
04 de novembro
FLORIANÓPOLIS (SC) – A instabilidade registrada em Santa Catarina na quarta-feira (4) esteve associada à combinação de um fluxo de ar quente com o avanço de uma frente fria e a formação de um ciclone extratropical no oceano. O cenário gerou ventos extremos, como os tornados confirmados no Oeste do estado. A expectativa é de trégua a partir de quinta-feira (5), com o deslocamento do ciclone para o alto-mar e a entrada de ar mais seco.
Cenário de alta energia
O evento foi provocado por um ambiente meteorológico com forte contraste térmico, resultado da combinação de três fatores:
- Ar quente e úmido: correntes de ar vindas da região amazônica, conhecidas como jato de baixos níveis, transportaram calor e muita umidade para o Sul do Brasil, elevando as temperaturas e criando energia para tempestades.
- Contraste com o ar frio: o avanço de uma massa de ar frio, estacionada ao sul, encontrou essa massa quente.
- Cisalhamento do vento: a grande variação na velocidade e na direção dos ventos em diferentes altitudes criou um efeito de “giro” na atmosfera. Esse movimento impulsionou a formação de supercélulas, nuvens de tempestade altamente estruturadas e rotacionais, o que favoreceu a ocorrência de tornados.
Papel do ciclone
Diferentemente de ciclones que atingem o continente, o centro de baixa pressão se aprofundou e se transformou em ciclone extratropical em alto-mar, distante da costa catarinense. Segundo a análise do sistema, ele funcionou como um “motor” que canalizou a frente fria com força sobre o continente.
Trégua na quinta
O afastamento do ciclone para o oceano aberto, a partir de quinta-feira (5), é o fator que permite a chegada de uma massa de ar seco e estável. Com isso, o tempo dá uma trégua temporária no estado.
Barragens fechadas
Diante do grande volume de chuva provocado pelo sistema, a Defesa Civil acionou estruturas de contenção de cheias. As comportas da Barragem Sul, em Ituporanga, e da Barragem Oeste, em Taió, foram fechadas preventivamente para conter o pico de vazão dos rios no Alto Vale do Itajaí e reduzir o impacto nas cidades a jusante.
Chuva acumulada
Municípios como Timbó e Luiz Alves registraram volumes expressivos de chuva em curtos intervalos de tempo, o que justifica a manutenção das barragens em modo de contenção.
Orientações à população
Moradores de áreas de risco devem acompanhar os alertas da Defesa Civil e evitar locais sujeitos a alagamentos e deslizamentos. Em caso de emergência, o telefone é o 199 (Defesa Civil) ou o 193 (Corpo de Bombeiros).
Com informações da Defesa Civil de Santa Catarina.






