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Com desemprego de 2,1%, menos da metade da média nacional, o estado combina economia descentralizada, força portuária, rigor sanitário e mão de obra qualificada; falta de profissionais e gargalos em rodovias são os desafios
Por Joanna Rita
13 de outubro de 2026
FLORIANÓPOLIS (SC) – Quando o assunto é emprego, Santa Catarina joga em outra divisão. No segundo trimestre de 2026, o estado registrou taxa de desocupação de 2,1%, a menor do país, enquanto a média nacional ficou em 5,4%, segundo a Pnad Contínua, divulgada pelo IBGE em agosto. É um patamar que economistas costumam chamar de pleno emprego, e que se repete há vários trimestres.
Os números não ficam só no mercado de trabalho. O PIB catarinense cresceu 2,9% nos 12 meses encerrados em março de 2026, acima dos 2% da média nacional, de acordo com estimativa da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan). Até abril, o estado havia criado 63 mil vagas formais, o terceiro maior saldo do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
Emprego com menos informalidade
Os dados do IBGE mostram que a força do mercado catarinense vai além da taxa de desemprego. No segundo trimestre, Santa Catarina teve também a menor taxa de informalidade do Brasil, de 25,4%, contra 37,4% da média nacional, e a menor taxa composta de subutilização da força de trabalho, de 4,1%, frente a 12,9% no país.
O rendimento médio do trabalhador catarinense, segundo a Seplan, chegou a R$ 4.298, acima dos R$ 3.722 da média nacional. O comércio acumulou alta de 2,3% em 12 meses, contra 0,2% no país, e a agropecuária avançou 3,1%, impulsionada pela pecuária, com recordes de faturamento nas exportações de aves e suínos.
Uma economia de vários centros
O primeiro ingrediente do chamado “modelo catarinense” é a descentralização. Em vez de concentrar riqueza na capital ou numa única região metropolitana, o estado tem uma economia policêntrica, em que cada região desenvolveu uma vocação própria:
- Oeste: coração do agronegócio e do cooperativismo, líder no processamento de proteína animal, como frango e suínos.
- Norte (Joinville, Jaraguá do Sul): maior polo metalmecânico e industrial, com multinacionais como WEG e Tupy e referência em plásticos e compressores.
- Vale do Itajaí (Blumenau, Brusque, Itajaí): tradição têxtil e naval, comércio exterior e complexo portuário, além do polo cervejeiro.
- Litoral e foz do Rio Itajaí (Balneário Camboriú, Itapema): mercado imobiliário de alto padrão e turismo nacional e internacional.
- Grande Florianópolis: polo de tecnologia, inovação e serviços avançados, conhecido como o “Vale do Silício brasileiro”.
- Sul (Criciúma, Tubarão): cerâmica de revestimento, descartáveis plásticos, vestuário e mineração.
- Planalto Serrano e Meio-Oeste: papel, celulose, madeira serrada e fruticultura.
Essa distribuição funciona como um seguro: quando um setor desacelera, outros seguram a geração de empregos e a arrecadação.
Pequenas e médias empresas, cooperativas e gente qualificada
O segundo pilar é o empreendedorismo. A economia catarinense é movida por pequenas e médias empresas de alta produtividade, num ambiente em que o cooperativismo, sobretudo no agro e no crédito, ajuda a dar resiliência em momentos de crise nacional.
O terceiro é o capital humano. O estado tem indicadores sociais entre os melhores do país, com menores taxas de pobreza e desigualdade, e conta com redes de ensino técnico, como o Sistema Fiesc/Senai, e com as universidades comunitárias do sistema Acafe para formar mão de obra qualificada.
Portos que ligam o estado ao mundo
Apesar de ser o 20º estado em extensão territorial, Santa Catarina é o segundo maior em movimentação de contêineres do Brasil. Cinco portos, Itajaí, Navegantes, Itapoá, São Francisco do Sul e Imbituba, conectam a indústria e o agronegócio catarinenses ao resto do mundo e abastecem o parque industrial com matérias-primas.
O rigor sanitário como vantagem competitiva
No agronegócio, a grande vantagem do estado é o rigor sanitário. Santa Catarina foi pioneira no reconhecimento internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação e é livre de peste suína clássica. Esse histórico abre as portas de mercados exigentes, como o Japão e a Coreia do Sul, que costumam pagar mais pelo produto.
Os gargalos do crescimento
O ritmo acelerado cobra a conta. A escassez de mão de obra qualificada, da tecnologia ao chão de fábrica, a necessidade de ampliar rodovias federais, como a BR-101 e a BR-282, e a demanda por energia trifásica no meio rural aparecem como pontos centrais na agenda dos setores produtivos. Na outra ponta, os próprios números mostram o desafio: com desemprego tão baixo, as empresas precisam disputar trabalhadores.
O desafio de manter o passo
O desempenho de Santa Catarina mostra que crescer acima da média nacional não depende de uma única atividade. Depende de várias frentes que se complementam, e de resolver a tempo os gargalos de logística, energia e formação que podem limitar o avanço.
Com informações do IBGE (Pnad Contínua), do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged), da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina (Seplan), do Observatório Fiesc, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Epagri, da Cidasc e da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).






