Pesquisar
×

Santa Catarina faz o primeiro transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial para salvar paciente em Minas Gerais

Foto: Divulgação

Doador de Joinville, único do estado com a tipagem Js(b-), atendeu ao chamado do Hemosc; bolsa viajou de Florianópolis sob controle de temperatura, em operação que é a terceira desse tipo no Brasil

Por Joanna Rita
21 de outubro de 2026

FLORIANÓPOLIS (SC) – Pela primeira vez, Santa Catarina transportou uma bolsa de sangue raro na cabine de um voo comercial. A operação garantiu agilidade no envio do material a um paciente em estado grave internado em Juiz de Fora (MG), que precisava com urgência de sangue com fenótipo raríssimo, o Js(b-). É o primeiro caso do tipo no estado e o terceiro realizado no país.

Um paciente e dez doadores no país

O paciente, internado em estado grave em Juiz de Fora, só poderia receber sangue compatível com a tipagem Js(b-), que é extremamente rara. No Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), havia apenas dez doadores mapeados com esse perfil em todo o Brasil, e só quatro com cadastro ativo e confirmado.

Ao acionar a rede nacional, o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) identificou que o único doador cadastrado no estado com esse perfil mora em Joinville. Ele atendeu imediatamente ao chamado e doou o sangue que seguiria para Minas Gerais.

Da cabine ao hospital

Em vez de despachar o material no porão de carga, procedimento tradicional que costuma envolver trâmites mais demorados, a bolsa viajou acondicionada sob controle de temperatura, entre 1°C e 10°C, diretamente na cabine de passageiros de um voo comercial que saiu de Florianópolis.

A logística foi possível graças a um termo de cooperação técnica firmado com apoio da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê o transporte de insumos vitais em situações de emergência.

Uma iniciativa nacional

O transporte de sangue raro na cabine de aeronaves comerciais é uma iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com companhias aéreas. O primeiro caso ocorreu em 12 de setembro, de São Paulo para o Piauí. O segundo, no início de outubro, levou uma bolsa do Ceará até Juiz de Fora. A operação catarinense é a terceira.

Por que o sangue raro exige tanta articulação

Sangue raro é aquele que não se limita aos grupos A, B, AB e O e ao fator Rh. Pacientes que desenvolvem anticorpos contra determinados antígenos só podem receber sangue de doadores que também não os apresentem, o que reduz muito as chances de encontrar uma bolsa compatível. Quando o doador está em outro estado, o tempo de deslocamento pode ser decisivo.


Com informações da Secretaria de Estado da Saúde de SC (SES) / Agência de Notícias SECOM SC

Talvez te interessem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Hospedado por ServerPro